domingo, 28 de agosto de 2011

Onze temas ENEM - 04 Ascensão da mulher no Brasil


Dilma é 3ª mulher mais poderosa do mundo, segundo 'Forbes'


Presidente brasileira subiu da 95º posição em 2010 para o topo da lista, liderada por Angela Merkel

A presidente Dilma Rousseff é a terceira mulher mais poderosa do mundo, segundo ranking publicado nesta quarta-feira pela revista Forbes. A chefe de Estado brasileira ficou atrás apenas da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, na lista de 100 mulheres.

A revista americana diz que a eleição de Dilma "não foi uma surpresa". A Forbes lembra que a presidente ficou presa por dois anos, por sua militância no que chamou de "política trabalhista radical".

Com uma visão "mais pragmática e capitalista", Dilma hoje enfrenta um "Congresso Nacional rebelde, que ameaça interromper sua agenda (de governo) e o boom econômico do Brasil", diz o texto.

"Fora da política, Rousseff é uma fã ávida de teatro, sobretudo de peças clássicas gregas e de ópera", diz a Forbes.

No ranking feminino de 2010, Dilma ocupava a 95ª posição, atrás da modelo Gisele Bündchen (a brasileira melhor colocada então) e da presidente argentina, Cristina Kirchner (16ª em 2011).

O topo da lista era encabeçado pela primeira-dama americana Michelle Obama, que neste ano caiu para 8º lugar.

Em novembro de 2010, a presidente brasileira também figurou na lista das 68 pessoas mais poderosas do mundo (incluindo homens e mulheres), em 16º lugar. Na ocasião, ela ficou à frente do presidente da França, Nicolas Sarkozy.

Celebridades

Além de políticas, a lista de 2011 traz mulheres que se destacaram no mundo dos negócios e do entretenimento.

Atrás de Dilma, vem a diretora-executiva da PepsiCo, a indiana-americana Indra Nooyi, e em seguida Sheryl Sandberg, executiva do Facebook.

A cantora Lady Gaga (7ª lugar em 2010), caiu no ranking e agora ocupa a 11ª posição. A apresentadora Oprah Winfrey é a numero 13 e Beyoncé a 18.

Outra brasileira a figurar no ranking, Gisele Bündchen ocupa a posição de número 60.


Fonte: BBC Brasil

A ascensão das mulheres
A escalada feminina ao poder teve de enfrentar uma corrida de obstáculos, como o preconceito de uma sociedade historicamente machista.
Ney Figueiredo



A ascensão das mulheres ao centro do poder ocorre quando o país registra quase 4 milhões de mulheres a mais do que homens, uma relação de 96 homens para 100 mulheres. Trata-se do coroamento de uma longa trajetória política, cujos primeiros passos foram dados após a revolução de 30, quando as mulheres abriram as primeiras trincheiras das batalhas por igualdade de direitos, sob o ideário que a Europa e os Estados desfraldaram desde o final do século XIX.
O fato é ainda mais auspicioso quando se constata que a elevação da condição feminina, em nosso país, atravessou um percurso de muitas curvas. Primeiro, porque os direitos sociais no Brasil, ao contrário de outros países, precederam os direitos civis e políticos e, pior, na esteira da supressão destes, durante a ditadura Vargas.
Sem liberdade de opinião, de organização, de associação, o direito ao voto perdia sentido. O processo de amadurecimento político evoluía lentamente, seja em decorrência da herança colonial seja em função da sociedade escravagista-rural, responsável pela política coronelista da República Velha. Ou, como lembra José Murilo de Carvalho, até 1930 não havia povo politicamente organizado nem sentimento nacional consolidado.
Sob essa radiografia, a condição feminina tomava distância do espaço da cidadania. Submissa ao controle masculino, limitando-se às tarefas da maternidade e de dona de casa, a mulher enfrentava o precário acesso ao estudo, ao trabalho e ao voto. A possibilidade de votar e ser votada só aconteceu após a Revolução de 30. E as restrições ao voto feminino só foram eliminadas no Código Eleitoral de 1934, apesar de sua obrigatoriedade ter sido fixada muito depois, no bojo da Constituição de 1946, quando o país passou a respirar ares democráticos.
A escalada feminina teve de enfrentar uma corrida de obstáculos, como o preconceito de uma sociedade historicamente machista, a resistência dos maridos, que não aceitavam a participação da mulher no processo político, o oportunismo do patronato, que impunha à mulher empregada salários aviltantes e o desgaste físico e emocional provocado pelo acúmulo de trabalho externo com as tarefas caseiras.
Resgata-se, aqui, este lúgubre pano de fundo de passado recente com o fim de enaltecer o magnífico conjunto de vitórias que as mulheres vêm colecionando desde a década de 60, quando, sob a bandeira da liberdade sexual, passaram a romper tabus e estreitar a linha divisória que as afastavam dos homens. Organizadas em núcleos de alto poder de mobilização, inspiradas no ideário da igualdade, da autonomia e da cidadania, conseguiram implantar marcos históricos na feição social brasileira, sendo exemplo a Lei Maria da Penha, instrumento vigoroso de combate à violência doméstica contra a mulher.
Temos motivos, sim, para comemorar o fato de que as mulheres já constituem 43,7% da população economicamente ativa do Brasil, tornando-se ainda fortes concorrentes dos homens em profissões antes por eles controladas, como advocacia, economia, corretagem de seguros, odontologia, medicina e administração de empresas.
Se ainda há diferenças salariais em relação aos homens, registre-se que a distância se reduziu à metade do que era há 30 anos. Até nossas Altas Cortes do Judiciário se elevam com a grandeza do saber jurídico das mulheres.
Norberto Bobbio, o grande filósofo e cientista social italiano, costumava lembrar: "A revolução da mulher foi a mais importante revolução do século XX". Ao abrir as cortinas da segunda década do século XXI, sob o governo de uma mulher, o Brasil confirma a lição do mestre.




"A mulher no poder"

Carlos José Marques, diretor editorial

Carregada de simbolismos e desafios, a chegada da primeira mulher à Presidência da República marca a história do País. Do alto dos mais de 55 milhões de votos, Dilma Vana Rousseff conquistou  aos 62 anos, a condição de 36º ocupante do cargo. É a 19ª vez que a escolha foi feita pelo voto direto. E a ascensão de Dilma completa alguns ciclos importantes na trajetória política do País. Há exatos 25 anos era decretado o fim do regime militar, contra o qual ela lutou, pegando inclusive em armas para resistir à ditadura. Com Dilma, a geração que nos anos 60/70 defendeu ideias revolucionárias finalmente assume o poder. Já se vão mais de oito décadas desde que as primeiras mulheres obtiveram o título de eleitor e o direito a votar. E de lá para cá o colégio eleitoral assumiu uma condição majoritariamente feminina – neste ano, 70,3 milhões de eleitores são mulheres, cinco milhões a mais que os homens, ou 51,8% do total. É um sinal importante. O Brasil, que por séculos subjugou o papel feminino, que ainda hoje ignora direitos básicos da mulher e lhe impõe  a injustiça financeira e profissional no mercado de trabalho, colocou uma delas no posto máximo da Nação. Já não era sem tempo. Grandes mulheres no último século estiveram no comando e fizeram a diferença. De Indira Gandhi, na Índia, a Golda Meir, em Israel, passando por Margaret Thatcher na Inglaterra, muitas deixaram a marca de estadistas. Na nova geração, Dilma vem se unir a Angela Merkel, da Alemanha, e Cristina Kirchner, da Argentina – além de Michelle Bachelet, do Chile, que acaba de deixar o posto – como dirigentes-chaves a influir nos destinos globais.

Sem precedentes, Dilma tomou posse como primeiro mandatário a contar com uma maioria absoluta de deputados e senadores aliados, conquistada diretamente nas urnas e não através do balcão de negócios fisiológicos do Congresso. Assim a ex-guerrilheira, a ex-ministra de Lula, a técnica detalhista, a aluna aplicada do Colégio Sion, a menina da burguesia mineira terá condições excepcionais para governar.
 Levada ao poder pelas mãos de um líder carismático e no bojo de uma economia que segue com resultados promissores, ela encontrará também enormes batalhas pela frente. Na liturgia do cargo terá de unificar correntes, driblar preconceitos e encaminhar as esperadas –
e necessárias – reformas política e tributária. Nesse último aspecto, brasileiros de todas as vertentes e credos almejam que, pela primeira vez de fato, um chefe de Estado tenha coragem e disposição de rever a complexa estrutura de impostos, que hoje faz do governo sócio em quase metade de tudo produzido aqui. Só assim será possível garantir a permanência do País no trilho do desenvolvimento e da equidade social.

É bem verdade que a vitória de Dilma pode se explicar em parte pela inclusão – com quase 30 milhões de novos consumidores incorporados à economia –, mas essa ainda é uma Nação injusta, dividida, pobre e com atrasos latentes em várias áreas e regiões. Uma boa perspectiva e esperança se abrem com a promessa da presidente eleita de escalar como a maior de suas metas a erradicação da pobreza. Pelo perfil técnico e absolutamente pragmático na tomada de decisões, Dilma carrega reais chances de conduzir, com equilíbrio e eficiência, a gestão da coisa pública. Mas precisa mitigar a imagem que lhe foi imputada de uma administradora a favor do Estado inchado e controlador e, acima de tudo, estabelecer uma marca de realizações que a diferencie daquela mitificada e incandescente do seu mentor.

Interna e externamente, há um longo trabalho a realizar. O mundo já vê o Brasil com olhos bem diferentes, dentro do prisma de desenvolvimento acelerado e das reformas sociais em andamento. E com Dilma aguardam uma política externa mais pragmática, menos ideológica e passional, sem a preocupação de um protagonismo exacerbado. No plano nacional, o discurso de união terá de entrar imediatamente na ordem do dia. E ela já sinalizou com isso. Na mensagem de vitória, pregou a necessidade de diálogo com a oposição, de um projeto conciliador que consolide o Brasil entre as maiores repúblicas democráticas do mundo. Por esse caminho, Dilma começa bem.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Onze temas ENEM - 03 Censo Demográfico


Censo demográfico revela que o Brasil ficou mais velho e menos branco




Segundo o censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a população brasileira cresceu, em 10 anos, 12,48%. Em 2000, o País tinha 169.590.693 habitantes, e agora tem 190.755.799.

A região brasileira que mais cresceu foi o Norte (23,04%), seguida do Centro-Oeste (21,01%), Nordeste (11,29%), Sudeste (11,15%) e Sul (9,15%).

O censo do IBGE apontou que o Brasil tem quase 4 milhões de mulheres a mais do que homens, sendo que, para cada 100 mulheres existem apenas 96 homens. Mas, isso não significa que nascem mais homens que mulheres no Brasil.

Na verdade, segundo o IBGE, nascem mais homens que mulheres no Brasil. Para cada 105 crianças que nasce do sexo masculino, nasce apenas 100 do sexo feminino. Entretanto, por serem mais vulneráveis a situações de violência, por exemplo, o número de mortes de homens é maior que o de mulheres.

Segundo Fernando Albuquerque. Gerente de projetos da Coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE, “Isso já vem ao longo dos censos e é em função da mortalidade. Apesar de nascerem mais homens, como a mortalidade dos homens é superior à das mulheres ao longo da vida, no final, você tem um contingente maior de mulheres”.
A cidade do Rio de Janeiro, no Sudeste do Brasil, é apontada no censo demográfico como a que tem a menor proporção entre pessoas do sexo masculino e feminino, ao concentrar 91,2 homens para cada 100 mulheres, enquanto a Região Norte é a única onde o contingente masculino é superior ao feminino.
Segundo Fernando Albuquerque, esse fenômeno no Norte do Brasil ocorre “em função dos movimentos migratórios e também do tipo de atividade – extrativa e de mineração –, em que os homens são a grande maioria”.
Pela primeira vez no Brasil, os brancos são menos da metade da população. Dos 190.755.799 de habitantes, 91.051.646 declararam ser de cor branca, enquanto 99.697.545 disseram de cor negra, parda, amarela ou indígena.
Os brancos ainda são a maioria (47,33%) da população, mas a quantidade de pessoas que se declaram assim caiu em relação ao Censo 2000, quando foi de 53,74%. Em números absolutos, foi também a única raça que diminuiu de tamanho. No Censo 2000, 91.298.042 habitantes se consideravam brancos.

O número de pessoas que se declaram negras, pardas, amarelas ou indígenas superou o de brancos no Brasil. Essa é a primeira vez que isso acontece desde que o Censo passou a ser organizado pelo IBGE, em 1940.
Por outro lado, em dez anos, a porcentagem de habitantes que se classificam como pardos cresceu de 38,45% (65,3 milhões) para 43,13% (82,2 milhões). Já os negros subiram de 6,21 % (10,5 milhões) para 7,61% (14,5 milhões) da população brasileira.
O Brasil também tem mais gente que se considera de cor amarela (1,09% ou 2,1 milhões). No Censo de 2000, apenas 0,45% (761,5 mil) disseram ser de cor amarela. Em dez anos, o número de amarelos superou o de indígenas, que subiu de 734,1 mil para 817,9 mil.
A região Norte é a que tem, proporcionalmente, o maior número de pardos no país, com 66,88% de habitantes que se declararam de cor parda. Nas regiões Nordeste e Centro- Oeste o número de pardos supera o de brancos.
Já a Região Sul é a que tem a maior população de cor branca do Brasil, com 78,47%. No Sudeste, o número de brancos também supera o de pardos.
A Bahia é o Estado que tem a maior população de cor negra do Brasil, com 3,11 milhões de pessoas. Já o Amazonas tem o maior número de indígenas (168,6 mil). Proporcionalmente, Roraima tem a maior população indígena do Brasil (11%).
O Estado de São Paulo, que tem a maior população do Brasil, tem o maior número de brancos (26,3 milhões) e de pardos (12 milhões). No entanto, proporcionalmente, Santa Catarina (83,97% da população) tem mais brancos e o Pará (69,51%) tem mais pardos que todos os Estados do País.

Curiosidades dos municípios


Rio das Ostras, no litoral Norte do Estado do Rio de Janeiro, é a cidade que mais cresceu no Brasil. O município triplicou sua população na última década. No censo demográfico de 2000 Rio das Ostras tinha 36.419 habitantes, e agora tem 105.676, o que significa um crescimento de 190%.
Em segundo lugar está Balbinos, no Estado de São Paulo, que viu sua população aumentar de 1.313 para 3.702 (181%), seguido de Pedra Branca do Amapari, no Amapá, que no censo demográfico de 2000 tinha 4.009 habitantes e agora tem 10.772, registrando um crescimento populacional de 169%.
São Felix do Xingu, no Pará, foi de 34.621 habitantes para 91.340 (164%); e Canaã dos Carajás, também no Pará, pulou de 10.922 habitantes para 26.716 (144,61%).


Enquanto isso, Maetinga, no Estado da Bahia, perdeu quase a metade da sua população em dez anos. Maetinga foi a que proporcionalmente mais diminuiu em todo o Brasil. Entre 2000 e 2010, a população de Maetinga caiu de 13.686 para 7.038, redução de 49%. Itaúba, no Mato Grosso, em segundo lugar, minguou de 8.565 habitantes para 4.575 (-46,58%). Já a população de Brejo de Areia, no Maranhão, despencou de 10.418 habitantes para 5.577 (-46,47%).
Borá, no Estado de São Paulo, conseguiu manter o título de menor cidade do Brasil. Borá tem somente 805 habitantes, apenas dez a mais do que foi registrado no Censo de 2000. O segundo lugar nesse quesito ficou com Serra da Saudade, em Minas Gerais, cuja população caiu de 873 para 815 na última década. A terceira menor cidade do país é Anhanguera, em Goiás, com 1.020 habitantes.
Campinas, no Estado de São Paulo, continua ostentando título de maior cidade do interior do Brasil. Das cinco cidades interioranas mais populosas do país, quatro estão no Estado de São Paulo. A maior delas, Campinas, tem 1.080.113 habitantes. Em segundo lugar aparece São José dos Campos, com 629.921 habitantes, seguida de Ribeirão Preto (604.682), Uberlândia (604.013) e Sorocaba (586.625).
Guarulhos, em São Paulo, e São Gonçalo, no Rio de Janeiro, são as maiores cidades das regiões metropolitanas, exceto as capitais. Guarulhos tem 1.221.979 habitantes e São Gonçalo 999.728. Em seguida aparecem Duque de Caxias, com 855.048 habitantes, e Nova Iguaçu, com 796.257, ambas no Rio de Janeiro, e São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, com 765.463 habitantes.
Extensos e despovoados, os sete municípios com as menores densidades demográficas do Brasil estão na Região Norte. O primeiro da lista é Japurá, no Amazonas, que tem 8.549 habitantes espalhados para uma área de 56 mil km² - área equivalente a 37 municípios de São Paulo -, que dá uma densidade demográfica de 0,13 habitante por km².

Japurá é seguida por Atalaia do Norte, também no Amazonas, com 15.153 habitantes em 76 mil km² (densidade de 0,20), Barcelos, Amazonas, com densidade de 0,21 hab/km² e Mateiros, no Tocantins, na região do Jalapão, com densidade de 0,23 hab/km².
Formigueiros humanos



Conhecida, também, como “O Formigueiro das Américas", São João de Meriti, na Baixada Fluminense, é a cidade de maior densidade demográfica, com 458.673 habitantes em apenas 35 km², o que dá uma densidade de 13.024 hab/km². Na seqüência aparecem Diadema (12.519 hab/km²), Taboão da Serra (12.049 hab/km²), Carapicuíba (10.680 hab/km²) e Osasco (10.411 hab/km²), todos na Grande São Paulo.

Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Recife, em Pernambuco, e capitais do Sudeste tiveram o menor crescimento. Entre todas as capitais brasileiras, Porto Alegre foi a que menos cresceu entre 2000 e 2010. A capital gaúcha tinha 1.360.590 habitantes em 2000 e agora tem 1.409.351, o que representa um crescimento de 3,58%.

Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, que tinha 2.238.526 habitantes em 2000, agora tem 2.375.151, aparece em segundo lugar, com crescimento de 6,10%. A mineira BH é seguida por São Paulo com 7,84% de crescimento demográfico, Rio de Janeiro, com 7,90%, e Recife, com 8,07%.
Enquanto as metrópoles do Sul e Sudeste crescem moderadamente, na região Norte as capitais crescem em ritmo acelerado. Palmas, no Tocantins, foi a campeã em crescimento populacional (66,23%). A população de Palmas aumentou de 112.848 para 228.332 na última década.
Em Macapá, no Amapá, a população cresceu 40,56%, saltando de 283.308 habitantes em 2000 para 398.204 em 2010. Já em Rio Branco, o crescimento foi de 32,79%, passando de 253.059 em 2000 para 336.038 em 2010.
Em Porto Velho, Rondônia, a população aumentou de 334.661 para 428.527, variação de 28,05%, proporção semelhante à de Manaus, onde o número de habitantes cresceu de 1.405.835 para 1.802.014 (28,18%). Já Boa Vista, a campeã em crescimento populacional, o número de habitantes cresceu de 200.568 para 284.313 (41,75%).
O Brasil tem 58 cidades novas, a maioria no Rio Grande do Sul. Segundo o censo de 2010, 58 cidades novas foram fundadas no Brasil entre 2000 e 2010, 29 delas no Rio Grande do Sul e 15 em Mato Grosso. Outros quatro municípios foram criados em Goiás, três no Piauí e dois na Bahia. No Rio Grande do Norte, Alagoas, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, surgiu um município novo na última década.

Curiosidades nos Estados


Campeão em crescimento, Amapá vê população quadruplicar em 30 anos. O Amapá foi o Estado brasileiro que registrou o maior crescimento populacional na última década. A população saltou de 557.226 habitantes, em 2000, para 733.559, em 2010, aumento de 40,70%, e praticamente quadruplicou desde 1980, quando tinha apenas 180.078 habitantes.

Estado mais populoso, São Paulo teve aumento populacional de 4 milhões na última década. São Paulo continua reinando absoluto como Estado mais populoso do Brasil, com 41.262.199. São Paulo foi o Estado que mais cresceu em números absolutos na última década e viu a população aumentar em 4.292.720 (11,61%).
Apesar de ter tido um crescimento de 40%, Roraima ainda é o Estado com menor população do Brasil. O Estado com menor população no país continua sendo Roraima, que tem 450.479 habitantes. Em contrapartida, em termos relativos, Roraima teve o segundo maior crescimento do país, com a população aumentando em 38,97%.
Rio Grande do Sul teve menor crescimento do Brasil e viu sua população praticamente estagnar. Na última década, o Rio Grande do Sul teve o menor crescimento entre todos os Estados do país, com aumento populacional de 5,03%. A população ficou praticamente estagnada entre 2000 a 2010 - de 10.181.749 para 10.693.929 habitantes.
Maior Estado nordestino, tanto em área quanto em população, a Bahia registra o menor crescimento na região. Entre 2000 e 2010, o número de habitantes no Estado subiu de 13.066.910 para 14.016.906, crescimento de apenas 7,27%.
Exceção sulista, Santa Catarina cresce o triplo do vizinho Rio Grande do Sul. Impulsionada pelo crescimento da sua capital, Florianópolis, Santa Catarina teve, na última década, um crescimento populacional de 16,80% - de 5.349.580 para 6.248.436 habitantes, aumento mais de três vezes maior do que o registrado no Rio Grande do Sul (5,03%) e quase o dobro do verificado no Paraná (9,27%).
População do Distrito Federal praticamente dobra em 20 anos. O Distrito Federal foi a Unidade da Federação que mais cresceu no Centro-Oeste na última década (25,79%), com a população de Brasília e das cidades-satélites chegando a 2.570.160 em 2010, número quase duas vezes maior do registrado em 1990 (1.598.415).
Minas Gerais cresce pouco, mas se aproxima dos 20 milhões de habitantes. Entre todos os Estados da região sudeste, Minas Gerais foi o que menos cresceu em termos populacionais. A população do Estado saltou de 17.866.402 para 19.597.330, crescimento de 9,68%.
População do Maranhão, segundo Estado mais pobre da nação, é a que mais cresce no Nordeste. O Maranhão, que tem o segundo pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil, atrás somente de Alagoas, registrou o maior crescimento populacional do Nordeste na última década (16,51%). Entre 2000 e 2010, o número de habitantes do Maranhão aumentou de 5.642.960 para 6.574.789. O Maranhão tem a quarta maior população do Nordeste, atrás apenas da Bahia, Pernambuco e Ceará.
Vizinho de gigantes, o Espírito Santo é o Estado que mais cresce no Sudeste. O Espírito Santo viu seu número de habitantes crescer de 3.094.390 para 3.514.952 (13,59%) entre 2000 e 2010. A taxa de crescimento foi superior às registradas no Rio de Janeiro (11,29%), Minas Gerais (9,68%) e São Paulo (11,61%).
Antonio Carlos Lacerda
  é jornalista e correspondente internacional da Imprensa Estrangeira no Brasil



Nascem mais homens, mas mulheres 
predominam na população brasileira

Rio tem mais – O Brasil passou a ter quase 4 milhões de mulheres a mais do que homens em dez anos, segundo dados do Censo Demográfico 2010, divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A relação entre os gêneros, segundo o estudo, é de 96 homens para cada 100 mulheres. 

“Isso já vem ao longo dos censos e é em função da mortalidade. Apesar de nascerem mais homens, como a mortalidade dos homens é superior à das mulheres ao longo da vida, no final, você tem um contingente maior de mulheres”, explicou Fernando Albuquerque, gerente de projetos da Coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE. 

De acordo com Albuquerque, nascem 105 homens a cada 100 mulheres, mas como eles estão mais vulneráveis a situações de violência, por exemplo, o número de mortes é maior. 

A capital carioca foi apontada no levantamento como a unidade da Federação com a menor proporção entre pessoas do sexo masculino e feminino, ao concentrar 91,2 homens para cada 100 mulheres. 

A Região Norte é a única do país onde o contingente masculino é superior ao feminino. Segundo Fernando Albuquerque, esse fenômeno ocorre “em função dos movimentos migratórios e também do tipo de atividade — extrativa e de mineração —, em que os homens são a grande maioria”. 

Outra constatação do levantamento que verificou a situação demográfica do país e as mudanças ocorridas entre 2000 e 2010 foi o envelhecimento da população brasileira que somou cerca de 190 milhões de habitantes (190.755.799) no ano passado. De acordo com o IBGE, o crescimento absoluto da população adulta e o aumento da participação da população idosa no país foram os fatores que mais contribuíram para o aumento da população brasileira. 

O Censo Demográfico mostra que os grupos etários de menos de 20 anos vêm diminuindo no contingente populacional. 

“Em cada censo, a base (do gráfico demonstrativo onde a base representa a população mais jovem) se estreita mais em função da queda da fecundidade e o topo se alarga mais, com indicativo de maior longevidade”, explicou Albuquerque. 

No cenário brasileiro, apenas no Norte e no Nordeste ainda mantêm uma base mais larga, ou seja, um contingente de jovens ainda maior do que em outras regiões. De acordo com o gerente de projetos do IBGE, a justificativa é que estados da região norte e nordeste iniciaram o processo de transição demográfica mais tarde do que no Sudeste, Sul e Centro-Oeste. 

— O declínio da fecundidade foi posterior ao das outras regiões isso faz com que o número de filhos ainda seja mais alto do que em outras regiões. 

Segundo Fernando Alburquerque, a tendência é de uma convergência no país, “com redução da diferença entre fecundidade e mortalidade entre as grandes regiões brasileiras”. As informações são da “Agência Brasil”. 


Maioria dos miseráveis do Brasil é jovem, negra e nordestina, diz estudo

Redação SRZD | Nacional | 03/05/2011

A maioria dos brasileiros que vivem em situação de extrema pobreza é negra ou parda, jovem e vive na Região Nordeste. É o que mostra um mapa feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com base em dados preliminares do Censo Demográfico de 2010.
Com base em dados do IBGE e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), foi estipulado que famílias com renda igual ou inferior a R$ 70 por pessoa são consideradas extremamente pobres. O parâmetro será usado na elaboração do plano Brasil sem Miséria, a ser lançado em breve pelo governo federal.
Nessa situação de miséria encontram-se 16,2 milhões de brasileiros, o equivalente a 8,5% da população do país, conforme o IBGE. Desse total, 70,8% são pardos ou pretos e 50,9% têm, no máximo, 19 anos de idade.
O mapa revela que 46,7% dos extremamente pobres vivem no campo, que responde por apenas 15,6% da população brasileira. De cada quatro moradores da zona rural, um encontra-se na miséria. As cidades, onde moram 84,4% da população total, concentram 53,3% dos miseráveis.
Na Região Nordeste estão quase 60% dos extremamente pobres (9,61 milhões de pessoas). Em seguida, vem o Sudeste, com 2,7 milhões. O Norte tem 2,65 milhõesde miseráveis, enquanto o Sul registra 715 mil. O Centro-Oeste contabiliza 557 mil pessoas em situação de extrema pobreza.
Quanto ao sexo, a miséria atinge mulheres e homens da mesma forma: 50,5% contra 49,5% respectivamente. No entanto, na área urbana, a presença de mulheres que vivem em condições extremas de pobreza é maior, enquanto os homens são maioria no campo.
A análise dos dados revela também que, além da renda baixa, a parcela da população em extrema pobreza não tem acesso a serviços públicos, como água encanada, coleta de esgoto e energia elétrica. Estima-se, por exemplo, que mais de 300 mil casas não estão ligadas à rede de energia elétrica.


*Informações da Agência Brasil

Onze Temas ENEM - 02 - Tragédia no Japão


Visto do alto, era  desolador o cenário do que restou das cidades da costa nordeste do Japão atingidas pelo tsunami, com ondas de até 10 metros de altura, que se seguiu ao pior terremoto já registrado no país. Vistos do solo, os efeitos do desastre natural eram ainda mais chocantes, pois, em meio à impressionante devastação causada pela força incontrolável das águas, surgiam as tragédias pessoais.

Nação rica, que nos últimos anos - sobretudo depois do terremoto de Kobe, em 1995 - investiu pesadamente no aperfeiçoamento dos sistemas de detecção, prevenção e socorro para reduzir os danos de terremotos e maremotos, o Japão era considerado o país mais bem preparado do mundo para enfrentar catástrofes naturais. A população sabe como agir nos casos graves. Sistemas públicos de alerta são frequentemente testados e respeitados pela população. Os grandes edifícios são construídos de acordo com técnicas que lhes permitem absorver os choques causados por fortes terremotos.

Ainda assim, o tsunami arrastou, como brinquedos, automóveis, caminhões, contêineres, navios, casas e destruiu cidades inteiras. Milhares de pessoas foram sepultadas sob a lama e os escombros produzidos pelo tsunami. Centenas de milhares de pessoas perderam suas casas e foram abrigadas precariamente em escolas e outros edifícios públicos.

Em algumas regiões ficaram sem luz e o transporte público inoperante. As comunicações precárias. AS estimativas dos prejuízos materiais alcançaram algumas dezenas de bilhões de dólares.

Os sérios danos sofridos pela maior usina nuclear do país, a de Fukushima, acrescentaram aos problemas já enfrentados pelo Japão o risco de uma tragédia comparável à ocorrida em Chernobyl, na Ucrânia (então parte da União Soviética), há 25 anos. Também neste caso, as consequências já teriam sido muito piores do que as registradas até agora se técnicas na época consideradas adequadas de prevenção de desastres não tivessem sido empregadas nessa usina, inaugurada no fim da década de 1960. O governo japonês procurou proteger as populações mais sujeitas a riscos de contaminação e tranquilizar os demais cidadãos a respeito de uma catástrofe nuclear.

As sucessivas explosões nos reatores nucleares da Fukushima 1, apresentadas inicialmente como consequência inevitável do tsunâmi, aos poucos vão evidenciando uma tragédia provocada pelo descaso do governo do Japão com a vida de seu povo. Um verdadeiro crime que poderá trazer repercussões catastróficas sobre o meio ambiente e a vida de milhões de seres humanos.

Realmente nada justifica as falhas no sistema da usina nuclear japonesa. Em um país como o Japão, acostumado com terremotos e situado no chamado "cinturão de fogo do Pacífico", o sistema de segurança deveria prever e apresentar estrutura para suportar os efeitos de um tsunâmi após terremoto.


Porém, devido à falta de manutenção e às más condições dos equipamentos dos reatores, o que vimos foi uma grave falha que levou a uma desativação do sistema elétrico, pane nos geradores de emergência e a paralisação do funcionamento das bombas de resfriamento do complexo nuclear de Fukushima. A partir de então, quatro dos seis reatores do complexo experimentaram incêndios, explosões ou derretimento parcial.

Devido à gravidade do acidente, todos os que viviam em um raio de 20km da usina, cerca de 200 mil pessoas, tiveram que abandonar suas casas por ordem do governo.

Várias cidades do país sofrem uma crise de desabastecimento e as pessoas perambulam pelas ruas em busca de água e comida. Milhares vivem em abrigos improvisados e se alimentam apenas com uma pequena ração diária de arroz. A contaminação foi comprovada em alimentos e água em várias cidades, algumas distantes até 140 km do local da tragédia.

Quaisquer que sejam seus resultados, o acidente de Fukushima - que pode se repetir em outra central nuclear, em Onagawa, mais ao norte - provoca dúvidas sobre o nível de segurança das usinas nucleares e deve estimular o debate internacional sobre a necessidade de tornar mais confiáveis essas centrais, que respondem por 30% da energia elétrica consumida no Japão - em alguns países da Europa têm papel ainda mais destacado.


Para a economia japonesa, a tragédia emerge num momento em que surgiam sinais de recuperação. A destruição foi tão grande na costa nordeste do país que paralisou as operações de importantes indústrias, como montadoras de automóveis, fábricas de motores, siderúrgicas, indústria eletrônica. Essas empresas abastecem o mercado interno, mas também fornecem para outras indústrias no exterior, motivo pelo qual tendem a estender para outros países os problemas da economia japonesa.

Certamente, as consequências teriam sido muito piores se o epicentro do terremoto mais forte registrado de 9 graus na escala Richter - e que provocou o tsunami -, estivesse localizado próximo a centros urbanos de outros países, e não, como neste caso, a 130 quilômetros da cidade de Sendai, na província de Miyagi. Mas, por suas dimensões, o que mais assusta na tragédia vivida pelo Japão é o fato de ela não deixar dúvidas de que, por mais bem preparado que esteja um país e por mais bem treinada que esteja sua população, é limitada a capacidade humana para conter os efeitos dos desastres naturais.
A pronta reação do governo japonês, com a cooperação da oposição, e a comovente solidariedade internacional - com o imediato envio de pessoal especializado em busca e socorro, equipamentos e alimentos - aliviam um pouco o drama de uma população traumatizada pela extensão da tragédia desencadeada pela natureza.


Lucro acima da vida



A energia nuclear passou a ser adotada como matriz energética japonesa após o primeiro choque do petróleo nos anos de 1973-1974, quando o alto escalão governamental, associado a grandes empresas, iniciou a construção de grandes centrais nucleares no país. O sistema montado passou a ser operacionalizado pela Tepco (Tokyo Electric Power Company), uma das maiores empresas de energia do mundo.

A partir de então não foram poucas as denúncias envolvendo a empresa e que colocam também sob suspeita todo o alto escalão do governo. Em agosto de 2002, a agência japonesa de segurança nuclear concluiu que, desde os anos 1980, houve inúmeras fraudes e manipulações nas inspeções realizadas pela Tepco em Fukushima, escondendo até mesmo fissuras nas estruturas dos reatores.

Após inquérito, a Tepco admitiu tudo e desculpou-se publicamente. Um mês mais tarde, porém, vieram à tona mais oito casos de omissão de informação sobre problemas nos tubos de circulação primária da central de Fukushima. Depois dos escândalos, a empresa foi obrigada a demitir seu presidente e alguns diretores, mas continuou operando normalmente o sistema.

Em 2006, mais um caso de falsificação nos dados, desta vez sobre a temperatura da água de refrigeração de Fukushima-Daiichi, em 1985 e 1988. E, em 2007, um abalo sísmico de magnitude 6,8 provocou um incêndio noutra central nuclear, Kashiwazaki Kariwa, a maior do mundo. Embora o acidente não tenha tido grandes consequências, o governo admitiu que não tinha avaliado bem o risco antes de aprovar a construção da central, confiando em dados da própria Tepco, de 1970.

Mas o governo japonês, ao invés de dizer a verdade e punir os culpados, tem adotado uma postura de tentar minimizar o tamanho da tragédia, possivelmente omitindo ao povo a gravidade da situação. Os organismos públicos repetem que o nível de radioatividade detectado na chuva, na água corrente e em alguns alimentos não representa uma ameaça para a saúde. Contraditoriamente, o governo foi obrigado a elevar de 4 para 5 o grau de seriedade do acidente nuclear, em uma escala internacional que vai de 1 a 7.
Somente onze dias após o início das explosões o governo e técnicos japoneses anunciaram o restabelecimento da energia elétrica nos seis reatores de Fukushima 1, inclusive no reator 3, o mais danificado. Nele há combustível MOX, uma mistura de óxidos de plutônio e de urânio, procedente de produtos reciclados, cujos dejetos são considerados mais nocivos que aqueles gerados por um combustível à base de urânio. A volta da energia elétrica ao centro de controle do reator 3 possibilita condições para evitar que os vazamentos radioativos se alastrem ainda mais, com o restabelecimento do sistema de resfriamento dos reatores.
A agência de energia nuclear da ONU, porém, reclama da falta de informações sobre as reais condições do vazamento de radiação no país. Os sistemas de monitoramento da agência da ONU detectaram níveis de radiação 1.600 vezes maiores do que o normal numa área de 20 km ao redor da usina de Fukushima 1. "Nós não recebemos informações válidas, já faz algum tempo, sobre a integridade dos conteúdos do reator 1. Estamos preocupados por não saber o status [atualizado]", disse Graham Andres, um oficial de alta patente da AIEA. O órgão disse ainda que o Japão precisa fornecer mais informações sobre os reatores 1, 3 e 4.
Diante da falta de informações, acreditamos que levará ainda algum tempo para que o mundo possa conhecer todas as consequências e a real gravidade da situação, posto que a radiação nuclear é um inimigo invisível e que pode ter consequências a curto, médio e longo prazo. Possivelmente os efeitos da radiação poderão perdurar por décadas.
De qualquer forma, a atual tragédia já é, sem dúvida, uma prova de que a adoção e manutenção da energia nuclear por parte de empresas e governos capitalistas podem representar um grande perigo para os povos e para o meio ambiente. Demonstra também que, sob o sistema capitalista, a corrupção, os lucros dos banqueiros e multinacionais, os pagamentos dos juros das dívidas públicas são prioridade em detrimento da vida e segurança do povo. Caso contrário, o governo japonês teria investido os recursos necessários para prevenir essa tragédia.
Pelo contrário, o que aconteceu foi que, poucas horas após o tremor, o Banco do Japão (BOJ, o banco central do país) anunciou a formação de uma equipe para administração do desastre, comandada por seu presidente, Masaaki Shirakawa. A principal preocupação do BOJ era "conter as preocupações do mercado" anunciando um pacote de gastos para dar liquidez ao mercado interbancário.
Foi com essa preocupação de atender aos interesses do mercado financeiro que o governo elaborou o novo orçamento a ser aplicado a partir de abril. De acordo com este, enquanto serão destinados 350 bilhões de ienes para gastos com desastres naturais, será aplicado mais que o dobro, 810 bilhões de ienes, em gastos com "medidas econômicas de emergência" (leia-se: salvar os capitalistas e o mercado financeiro da crise).
Wanderson Pinheiro, São Paulo
Lupi diz que Brasil vai 'ganhar mais do que perder' com tragédia no Japão
Ministro lamentou desastre e disse que
'não deseja a tragédia de ninguém'.

Segundo ele, haverá maior demanda por cimento,
minério e alimentos.
Alexandro Martello
G1 Economia

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, lamentou nesta terça-feira (15) a tragédia no Japão, país que foi fortemente atingido por um terremoto e um tsunami na semana passada, mas, ao ser questionado pelos jornalistas sobre o impacto na economia brasileira, avaliou que, em termos de trocas comerciais, o Brasil vai "ganhar mais do que perder".

"O Brasil vai acabar, apesar de não desejarmos tragédia para ninguém, até ganhando. Acho que vai ter mais encomenda do que desistência", declarou ele a jornalistas.

Segundo a Polícia Nacional japonesa, o terremoto e o tsunami que atingiram o Japão na última sexta-feira (11) deixaram até as 12h desta terça-feira, 3.373 mortos e 6.746 desaparecidos. Segundo o balanço, há ainda 1.897 feridos. o balanço anterior falava em 2.414.
Além dos desaparecidos, desabrigados e feridos pelo terremoto e tsunami, o Japão ainda enfrenta uma crise nuclear, com explosões nos reatores do complexo de Fukushima. Dados japoneses indicam que os índices de radioatividade caíram drasticamente na usina nuclear mais danificada pelo terremoto da semana passada, disse a agência nuclear da ONU nesta terça-feira.
Segundo Lupi, pode ser que, em um primeiro momento após a tragédia, ocorram mais desistências do que encomendas do país asiático.
"Pode ser até que no começo tenha uma encomenda menor. Mesmo assim demora [para ter impacto nas exportações brasileiras]. Não é de um dia para o outro. As encomendas são feitas com muita antecedência. É o mesmo prazo que vai ter para que se recupere a economia japonesa", disse ele.
Na avaliação do ministro do Trabalho, a crise no Japão vai ter o efeito de aumentar exportações brasileiras de alguns produtos para o país.
"Vai ter setores de energia, pois quase 25% de energia é nuclear. Vai diminuir a produção industrial. Por outro lado, vai ter que reconstruir parte do país. Continuamos produzindo minério, cimento e alimentos", declarou ele.